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Série Prometeu / Edições Humanidades
Este livro propõe uma explicação moral para o crescimento da epidemia do HIV/Aids entre mulheres. A afirmação central do livro é que a subordinação de gênero, ao cercear a autonomia feminina, impõe uma desigualdade estrutural às mulheres que as impede de negociar métodos de proteção para as doenças sexualmente transmissíveis. Escravas do risco é um título provocativo e incômodo, que, contudo, toca no cerne da vulnerabilidade feminina à epidemia.
As mulheres são vulneráveis à Aids não apenas por uma fragilidade do corpo feminino à doença, mas principalmente pelos padrões de socialização de gênero dominantes em diferentes sociedades. É na subordinação das mulheres aos homens, traduzida, no campo da reprodução e da sexualidade, em uma dificuldade moral de negociar o duplo método, que se encontra a principal explicação para a feminização da epidemia, segundo Dirce Guilhem.
Reconhecer a vulnerabilidade feminina à epidemia e, provocativamente, descrever as mulheres como escravas de um risco imposto pela socialização é um dos desafios argumentativos deste livro. Certamente não são todas as mulheres escravas da subordinação de gênero, mas a intenção do livro não é descrever a capacidade de negociação de cada mulher. O livro é mais ambicioso: a proposta é enfrentar os discursos morais dominantes, os valores que facilitam a feminização da epidemia.
Débora Diniz
Antropóloga, professora da UnB
Graduou-se em Enfermagem e atuou na área clínica por um período de dez anos, desenvolvendo atividades em clínica cirúrgica, cirurgia cardíaca, centro cirúrgico, saúde ocupacional e educação continuada. É especialista em Administração Hospitalar e Enfermagem do Trabalho. Já como professora da UnB, cursou o mestrado em Psicologia Social e do Trabalho (Ergonomia) e o doutorado em Ciências da Saúde (Bioética). Realizou estudos de pós-doutorado no tema Bioética e Pesquisas Envolvendo Seres Humanos. Nos últimos dez anos tem-se dedicado ao ensino e à pesquisa em bioética. Atua como professora do curso de Enfermagem, professora orientadora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, coordenadora do Núcleo de Estudos em Educação, Promoção da Saúde e Projetos Inclusivos (Nesprom), além de ser membro do Comitê de Ética em Pesquisa e vice-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde. Foi membro da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep/MS) pelo período de dois anos. É professora convidada da Associação Brasileira de Odontologia para a disciplina de Bioética oferecida nos cursos de Especialização em Odontologia. É autora de artigos sobre bioética, bioética feminista e pesquisas envolvendo seres humanos, tendo publicado, em parceria, o livro O que é bioética?

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