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Teresa de Cartagena (c.1425-c.1480), castelhana de origem judia conversa, escreveu "Admiração das Obras de Deus" como uma defesa da sua capacidade intelectual e da autoria da sua obra anterior, Arboleda de los enfermos, obra que de tão exemplar, teve sua autoria posta em dúvida. Neste tratado, considerado a primeira manifestação feminina em defesa das mulheres na Península Ibérica, no contexto da "querela das mulheres", ela argumenta, com base na onipotência divina, que Deus pode conceder dons intelectuais a quem desejar, inclusive às mulheres, e que questionar a sua capacidade é questionar as obras do próprio Deus. Através de um raciocínio cuidadoso e de uma linguagem por vezes irônica, ela não só defende o seu direito de autoria, mas também a capacidade intelectual de todas as mulheres, utilizando-se de analogias como a "pluma" da escrita (própria para as mulheres) versus a "espada" da guerra (própria para os homens) para sublinhar as diferenças entre os sexos.
Referência bibliográfica:
CARTAGENA, Teresa de. Admiração das obras de Deus. Tradução: Cláudia Costa Brochado. Brasília: Universidade de Brasília, Departamento de História, 2025. 69 p., il. (Coleção Medioevum).

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