Velhos não morrem: breve tributo à memória, ao imaginário e à sabedoria
Palavras-chave:
Literatura brasileira, Memórias, Nordeste, Brasil - Costumes e mitosSinopse
Imaginário e realidade se entretecem e no mais das vezes se confundem num só corpo, um realimentando o outro neste Velhos Não Morrem, um texto-tributo com que Edson Beú homenageia os seus ancestrais. Premissa mais meridianamente límpida não poderia haver, orientando na medida justa como principal vetor de sua poética empreitada. E assim ele urde uma espécie de combo em que, no vai e vem de curta narrativa
focada na sua crônica familiar de mais de século, alternam-se, num compasso binário, exemplos da criatividade e da arte popular e os conceitos que provocaram no âmbito da cultura erudita. Quem puxa o fio da meada é d. Auta Beú do Carmo Luiz, longeva, mas lúcida aos
noventa e nove anos de vida vivida, mãe e fonte do autor para realizar essa súmula em que são revisitados os costumes e os mitos, o folclore, a culinária, a farmacopeia, a música e os autos populares, em especial os do Nordeste. A fabulosa matriarca é oriunda de um casamento curioso como sintoma de uma condição que se arrasta desde tempos imemoriais: confrontando os preconceitos de raça e de classe social, a sua avó Rita, bela morena, uniu-se ao filho branco de rico fazendeiro, fugindo espetacularmente do sertão do Ceará até alcançar a distante zona canavieira das Alagoas. Um “romeu e julieta” com seu tanto de rocambolesco no atrasado cenário escravagista do século dezenove.